Teoria da Distância Transacional

A Teoria da Distância Transacional se refere ao espaço cognitivo que existe entre aquele que ensina e aquele que aprende. É a distância psicológica e comunicacional a ser transposta entre estas duas pessoas em relação de transmissão de conhecimento para que a aprendizagem se dê de forma plena.

Foi formulada por Michael Moore no final dos anos 70 (e publicada em 1980) a partir da observação do fenômeno na modalidade de ensino a distância, na qual a distância geográfica intensifica essa situação de tal forma que ela pôde ser percebida claramente pela primeira vez.  Alunos geograficamente dispersos facilmente se sentem isolados e desconectados, perdendo a motivação e aprendendo menos. A solução deste problema crucial para a efetividade do ensino a distância começou a ser resolvido com o uso de meios de comunicação (rádio, TV, telefone) e principalmente da internet. A partir das contribuições de Farhad Saba e Rick L. Shearer (1994), Yau-Jane Chen e Fern K. Willits (1998), Yau-Jane Chen (2001), Karen Lemone (2005) e Sushita Gokool-Ramdoo (2008) que observaram o fenômeno na prática do ensino a distância, o amadurecimento desta teoria permitiu compreender isso não ocorre exclusivamente no ensino a distância. Superar as divergências de entendimentos e percepções que levam ao distanciamento psicológico e a uma série de mal-entendidos é fundamental tanto para o ensino presencial quanto a distância.

Segundo estes teóricos, é possível maximizar os resultados da aprendizagem em qualquer modalidade de ensino minimizando-se a distância transacional. Em 1993, Moore retoma e consolida suas ideias originais, publicando-as em Theoretical Principles of Distance Education, livro editado por Desmond Keegan. Ali ele identifica três componentes do processo de ensino-aprendizagem que interagem na diminuição da distância transacional, proporcionando um aprendizado significativo:

Estrutura – é a forma como o programa instrucional é concebido, se refere à flexibilidade ou rigidez dos métodos e estratégias adotados; depende pouco do aluno quando muito estruturado; é resultado direto das características do aluno em programas personalizados.

Diálogo – é a interação professor/aluno; depende de ambos para acontecer.

Autonomia – é o grau de autodirecionamento do aluno, pode ser restringido ou estimulado pela estrutura do curso e pelas atitudes do professor.

Na concepção de um processo de ensino-aprendizagem, é importante considerar as variáveis da estrutura e do diálogo. Estas são variáveis qualitativas determinadas pela natureza dos meios de comunicação e de interação adotados, pelo perfil emocional e epistemológico do professor, pelos diferentes tipos de inteligência dos alunos e pelas restrições impostas pela instituição em que se dá a prática do ensino. Quanto maior a estrutura e menor o diálogo, mais distante o aluno se sente do professor e dos colegas, mais sozinho ele se encontra frente ao conteúdo a aprender, então maior tem de ser sua autonomia para dar conta da aprendizagem.

Em outras palavras, a distância transacional diminui na proporção em que docentes e discentes interagem simultaneamente e em que a estrutura do currículo é cada vez mais flexível. Assim, o distanciamento é maior naquelas situações em que há programa de ensino sem diálogo e sem estrutura, quando se privilegia o estudo independente, em geral baseado na leitura de conteúdo; diminui um pouco nos programas de ensino sem interação, mas com estrutura, como nos telecursos por rádio ou TV; diminui mais ainda nos programas de ensino com interação e estrutura, que é o caso da maioria dos cursos oferecidos online na modalidade a distância; finalmente, encontramos a menor distância transacional nos programas com bastante diálogo e interação, mas pouca estrutura, como em sistemas personalizados de instrução.

Entretanto, não se deve atribuir a isso um juízo de valor. Moore destaca, após muito observar o ensino a distância, que a redução da distância transacional de modo algum é um objetivo que se deve buscar sob quaisquer circunstâncias. Em certos casos, pode ser inclusive desejável e intencional uma distância transacional grande porque ela constitui uma premissa importante para o estudo autônomo e independência criativa do aluno, aos quais se atribui grande valor na pesquisa científica, no pensamento crítico e na educação de adultos. A distância a ser diminuída nas práticas de ensino não é aquela entre discente e docente, mas entre aquele que aprende e o assunto. É autônomo aquele que se apropria do ato de aprender, que consegue estabelecer uma relação de identidade com o assunto estudado e se satisfaz com suas conquistas.

Não existe “a medida mais adequada” de distância transacional que garanta sucesso. Características como participantes, objetivos, conteúdo, métodos e meios disponíveis vão estabelecer a melhor combinação de forças entre estruturação do conteúdo, colaboração entre docentes e discentes e comprometimento dos alunos. Essas três forças podem se encontrar em equilíbrio ou em combinações variadas, inclusive sendo em parte antagônicas ou excludentes. A busca da distância transacional adequada que possibilite àquele que aprende efetivamente conhecer e compreender algo novo dentro dos limites de sua maturidade cognitiva é algo comum a todos os modelos de ensino. Uma das contribuições da educação a distância para o ensino presencial foi justamente tornar a questão explícita. Não é uma preocupação exclusiva do ensino a distância, mas é fundamental nesta modalidade, cujas estratégias de ensino se estabelecem a partir destas tensões.

 

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